Alvaro Escrivão Neto

Olá, Chico. Gostei muito do seu texto, ele toca em questões que me incomodam muito. O que eles chamam de “entrar para o Primeiro Mundo” eu chamo de aprofundar a exploração, reafirmar o consumismo. Concordo com o que você disse, eu também prefiro ficar no Terceiro Mundo e buscar maneiras de proporcionar uma vida digna para todos. Se um dia isso vier a acontecer não dependeremos mais de nossa posição em rankings de revistas de economia para nos sentirmos orgulhosos de nossa pátria. Tratar os cidadãos com humanidade é o que, de fato, confere respeito a um país.
É uma luta dura por corações e mentes, pois como você bem ressaltou, foram anos e anos de propaganda mentirosa que inverteu os valores completamente. Um jovem bem-sucedido é aquele que enriquece e galga postos na empresa, este sim é valorizado, ainda que não tenha nada a dizer sobre nada. Mas me conforta saber que outros tantos não seguem essa linha. Acredito que a sociedade brasileira já é madura o bastante para saber que o mercado, por si só, não vai propiciar as condições necessárias para o nosso desenvolvimento humano. Aliás, os últimos anos provaram que sem o suporte do Estado e da sociedade civil organizada o capitalismo não passa de um trem desgovernado que passa por cima de todos, e que na falta de combustível para manter sua alucinante trajetória deixa todo mundo na mão.
A promoção da solidariedade e do humanismo, na esfera individual, e a implementação de políticas públicas socialmente responsáveis expõem os defensores do capitalismo na sua versão ultraliberal (ou no popular: cada um por si) como observado nos EUA. O movimento Tea party, que faz feroz oposição ao governo Obama, teve sua origem na luta contra o novo sistema de saúde norte-americano. Os “simpáticos” manifestantes costumam carregar cartazes com os dizeres: “Não com o meu dinheiro!”. Ouvi a entrevista de um ator americano, não me recordo o nome, ele, que apoiou a reforma no sistema de saúde, disse o seguinte: “Como eu vou explicar para os meus filhos que eu era contra a promoção da saúde para a população que dela necessita?!” e ainda brincou:” Vou dizer a ele: Ah, deixei que as pessoas morressem, que se danem!”
O “gigante” capitalista não avança sozinho, em suas entranhas estão os Teapartyers da vida, que querem nos convencer de que a resolução das contradições do sistema é óbvia: basta largar na estrada quem não caminha rápido o bastante. Este é o verdadeiro inimigo a ser combatido, é esse raciocínio perverso que desagrega, nos torna fracos e individualistas ao extremo, afinal temos que salvar nossa pele, não é mesmo?

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