Luiz Eça

Sobre sonhos (“La vida es sueño, y los sueños, sueños son”- Calderon de la Barca)

Li com atenção o ótimo texto do Francisco Whitaker. Tenho alguns pequenos reparos sobre algumas afirmações feitas­­­­­­ na primeira parte como: “inversão de prioridades do governo Lula”, o sistema de compra de votos seria obstáculo a Dilma mas talvez não a Serra, Lula estaria fragilizado, não poderia fazer reforma política, etc

Destaco apenas um: a impossibilidade de um governo no sistema atual evitar o aliciamento de deputados e senadores,

através da distribuição de ministérios, diretorias e empregos, obras, negociatas, proteções (vide casos Renan e Sarney) .

Lembro que Kirchner, Chavez e Morales não fizeram nada disso. Nenhum governou ou governa com “bases aliadas” formadas

por notórios oligarcas, corruptos e direitistas.

No entanto, Kirchner acabou com a anistia aos torturadores, que estão sendo postos na cadeia ; enfrentou a banca internacional,

forçando um acordo com redução sensível da dívida externa ; reduziu o desemprego de 24% para 8%; passou de 20% de

crescimento negativo para 10% positivos ,em média, no seu governo.

Chavez inverteu (de verdade) as prioridades, hoje o salário-mínimo venezuelano é de quase 1.000 dólares, reduziu a miséria em

termos percentuais maiores do que Lula; descentralizou a assistência médica, que agora vai à casa dos favelados.

E Morales, além de ter aumentado a renda per capita do país, ainda conseguiu em 2009 (auge da crise) crescimento de 2,7%,

o maior na América Latina.

Mas isto não é o fundamental no texto do Chico Whitaker.

Depois de mostrar inteligentemente as perversidades do capitalismo, ele declara achar que “um outro mundo é possível”.

Não tenho condições para negar.

Acho, porém, que transformar esse sonho em realidade é tarefa para a geração dos nossos bisnetos ou mesmo trinetos.

Nem acho que aqui se aplicaria a máxima de Mao-Tse-Turng, “para construir um muro é preciso começar colocando a primeira pedra”.

Acredito que a primeira pedra da construção de um novo sistema político econômico só pode ser colocada por pessoas com

conhecimentos muitas vezes superiores ao meu.

Não nego que existam. Mas pouco posso fazer para ajudá-las.

Esse “pouco”, que são os meus escassos recursos intelectuais, preferiria usá-los para lutar por mudanças factíveis, embora necessárias, que ,uma vez estabelecidas, melhorariam radicalmente as condições de vida e de realização pessoal de todos.Inclusive dos pobres.

Para mim, algumas dessas mudanças são:

1- Reforma Agrária pra valer , desapropriando muitas vezes mais do que Lula desapropriou (ele fez pouco, até menos do que FHC) e investindo para que os assentados tivessem reais condições de produzir com a eficiência necessária,

2 – Reforma Trabalhista, consistindo na redução da jornada de trabalho, sem redução de salário.

Estas 2 reformas produziriam um enorme número de novos postos de trabalho, diminuindo radicalmente o número de pessoas que

dependem do Bolsa Família para sobreviver.

3-Reforma Fiscal, acabando com a injustiça dos pobres, proporcionalmente, pagarem mais do que os ricos;

4- Reforma Politica, com financiamento estatal das campanhas e proibição das doações a partidos políticos, que são as formas

de burlar essa medida. Implantação do sistema misto de votação distrital e votação proporcional. Elevação dos salários dos

parlamentares com corte de TODAS as suas mordomias (inclusive moradia grátis).

5- Reforma Habitacional. Financiamento prioritário ás famílias de baixa renda, com subsídio estatal. Intervenção nos imóveis

vazios por prazo a estabelecer, para serem cedidos temporariamente a sem tetos.

Além das reformas acima, investir maciçamente na educação e na saúde públicas e

no saneamento básico- áreas negligenciadas pelos últimos governos.

Isso para mim seria “inverter as prioridades em beneficio do social”. Acho que um  governo realmente ligado ao povo teria condições de fazer tudo isso (ou quase), sem precisar ceder o Maranhão à família Sarney.

Da minha parte, estaria disposto a participar de um grupo que quisesse discutir essas e outras idéias com o mesmo objetivo.

Reforma do capitalismo?

Sim, sonhos possíveis.

Talvez o que, neste século, poderíamos conseguir no Brasil.

E já seria muito.

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