Toufic Attar

Estimado Chico,

Me permite reagir à sua mensagem “É permitido sonhar”. Partilho a maior parte de suas observações e reflexões. Menos a que dá voto de confiança a quem governou o Brasil distanciando-se de programas defendidos durante 4 campanhas sem sucesso, agindo ao inverso no tocante da Divida Externa e FMI quando assentados no poder máximo.

Ademais, eu não gostei nem um pouco do trabalho dos marqueteiros que acham que o povo fez da digestão de sapos seu prato preferido. E ainda se dão ao luxo de “anistiar”, moralmente pelo menos, quem, diz a propaganda, se revelou sensivel à extrema dor de dente do então preso político mandando chamar um dentista de madrugada. O incrível é que certas memórias se despertam de repente sobre fatos menores, revelando-se incapazes de dar mais detalhes sobre o que acontecia com os demais presos na mesma época…..É apenas um detalhe da recente campanha presidencial que me recordo.

Outro detalhe, tão insigficante talvez, foi que enhum candidato, nem de lá nem de cá, achou oportuno levantar a questão daquilo que a candidata vitoriosa chamou, na noite mesmo que anunciaram sua eleição, de guerra cambial. Porque o PSDB passou este assunto batido? Ou será que simplesmente ele fêz aquilo mesmo que assistimos durante oito anos: ter medo da popularidade do Lula e dos ataques histéricos deste contra FHC. Não que eu dê especial destaque ao presidente anterior. O que me incomoda é que o atual dono do cargo teve primeirosquatro anos para provar tanta coisa ilicita que, ao seu ver, fizeram da passagem presidencial uma herança maldita. Porque nada foi levantado? Continuaram mais 4 anos e nada de provar que as privatizações praticadas naquela época foram danosas à Nação?

Mas, este é importante, concordo contigo: “é permitido sonhar, sim!”

Sonhar com uma sociedade civil mobilizada, consciente, capaz de cobrar outra politca, outras atitudes, servindo à Nação e não apenas uns e outros que se mostram gênios repentinos ao enriquecer fabulosamente assim que a oportunidade permitir. É importante ter gente como você que ousa fazer as mais diversas  indagações, entrando em debates e reflexões que são as verdadeiras sementes que podem permitir aos sonhos realizaveis tomar forma concreta, sem eternizar o sonho de um Brasil melhor num eterno amanhã que sorri para poucos. Antigamente, isto é não muito longe em espaço tempo, o PMDb fez campanha com o slogan “O sol nasce para todos”! Esse era um sonho realizavel e virou drama nas mãos de quem esqueceu o seu papel ao ser eleito ou indicado a postos chaves. O mesmo PMDB anticipou o slogan do Barak Obama em 82 ao lançar “Mudanças já”…e o povo acrditou, sonhou, deu a vez para essa corrente política. Depois veio essa outra que vendeu a imagem de “autenticidade”, de compromisso com o povo, custe o que custar…antes de sofrer uma transformação digna do jeitinho brasileiro, ao advogar a composição com os partidos e as pessoas mais contraditórias em nome da “governabilidade”, essa sim um jeito bem brasileiro de driblar obediencia ao eleitor que é multado se deixa de votar, mas que deve assistir pacificamente a mudança de camisa partidária    sem ser consultado!

Porém, apesar de tudo isto, sou adepto da resiliença quando existe a capacidade de fazer de derrotas passadas (ou insucessos) instrumentos de superação e de conquista de futuras vitórias (sucesso). É nesse contexto que situo por exemplo seu engajamento em tantas frentes positivas, necessárias, indispensáveis diria, como a inicativa popular p/ ficha limpa, a reforma politica, e o atual grande desafio de mobilização da sociedade civil e entidades em torno do Forum Social São Paulo. É mais do que nunca oportuno que as reflexões e encontros que isto irá ocasionar sejam usados como alimento dessa resileinça ao qual me referia acima. Aí simseria possivel usar as matérias de muiitos sonhos como melhor forma de demonstrar que as utopias são realizaveis quando as circonstancias criadas são favoráveis.

Deixa agora lhe confessar algo quase anecdótico. Eu estava dividido entre anular meu voto ao achar que ambas as partes não mereciam confiança, escolher o candidato da esperança entre o menos ruim e não por suas qualidades publicamente reconhecidas. O que fazer? Me recusava a aceitar uma indicação vinda de paraquedas do céu de Brasilia. Como era doloroso votar num partido que, me parecia, esqueceu de fazer oposição e defender a transparencia como algo indispensável para transformar o Brasil? O que fazer? Garantir uma continuidade infinita a quem faz da governabilidade um balcão de bons negócios ou deixar passar o outro e deixar que a democracia faça o resto? A Providencia se encarregou de me responder…

Como nada escapa ao Supremo (não federal mas do Ceu) tive um ataque de respiração pulmonar no dia do segundo turno e fiquei hospitalizado até as 17 horas quase. quando me deram alta.  Me incentia aliviado de ter achado outra saída às minhas divagações eleitorais. Coincidencia ou intervenção divina para não me deixar cometer mais um voto errado? Minhas origens e a vida me mostraram que a primeira é rara. Enquanto não achava motivos suficientes para merecer tanta atenção de quem anda tão ocupado a mexer permanentemente na sua loucura criadora….

Partilho não só a necessidade de sonhar como de ousar transaformar alguns sonhos em conquistas reais. Porém se cada um tem o poder de sonhar sozinho a realização passa por um projeto de irmandade, de solidariedade coletiva. Onde achar aquilo que fez sonhar (e morrer) gerações e gerações e constitui até hoje o lema da França “Liberté, égalité, fraternité”? Como isto é possivel no Brasil cheio de décadas perdias e de heranças malditas/ A liberdade e a fraternidade ainda vai lá. Mas a igualdade? Qualquer um riria de tamanha ousadia. Seriamos chamados de loucos, de utopicos doentios.

Mas esta igualdade é a base de uma sociedade em busca de sua felicidade e da boa qualidade de vida, acessivel ao maior número enquanto não for estendida a todos. Ela passa necessariamente pela Cidadania. Igualdade na cidadania. Pouco importa a função, a categoria social, o emprego, o titulo de bacharel, o emprego e até desemprego. A cidadania tal como posta a luz do dia na Constituição, tão cara e tão dura foi o seu nascimento: ciodadania cheia de dignidade humana. é neste ponto que existe um sonho coletivo. É preciso portanto contaminar o maior número de cidadãos a ousar partilhar um mesmo sonho e achar como de sonho em sonho é a própria liberdade que será a maior conquista….

Continue sonhando. Inclusive com o M2M. As mais inesperadas sementes deram frutos maravilhosos. A Declaração Universal dos Direitos Humanos por exemplo. Fazendo parte de nosso cotidiano no Brasil de ponta a ponta do territorio nacional….isto é sonhar grande!

Desculpas por tão longa resposta. É que ao provocar certos estimulos causamos o acordar de outros…a eterna roda da vida.

Abraço cordial, deixando-o livre de partilhar ou não estas reflexões.

 

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