Mensagens para nos libertarmos de usinas nucleares – Chico Whitaker

(see below the messages in english)

Se há um tema em torno do qual a capacidade de sonhar tem que ser muito grande, esse tema é o da interrupção da construção de usinas nucleares para produzir eletricidade.

A longa  luta contra a proliferação das bombas atômicas já resultou pelo menos num Tratado Internacional com esse objetivo, depois de obter a interrupção dos testes com bombas. E ela tem ainda um longo caminho pela frente, para que sejam desmontadas as bombas guardadas nos arsenais, ou que se encontram prontas para serem usadas em aviões que estão continuamente sobrevoando nossos paises, em submarinos  que percorrem os oceanos ou em plataformas de lançamento espalhadas pelo mundo.

Mas tudo isso é tão absurdo que um dia o bom senso da Humanidade prevalecerá.

Com as usinas nucleares o problema é mais dificil: a desinformação é total e generalizada sobre os riscos dessas usinas – nem falemos do seu caráter antieconômico; e a propagando do lobby nuclear (e portanto do “negócio” nuclear) mente e doura a pílula, fazendo muita gente acreditar que elas são limpas, necessarias e seguras. Ou seja, nesta luta enfrentamos tanto a mentira como a inconsciência da opinião publica… Digo enfrentamos porque o faço participando da ação da Coalizão por um Brasil Livre de Usinas Nucleares (www.brasilcontrausinanuclear.com.br) e da Articulação Antinuclear Brasileira.

Coloco à disposição de vocês uma carta que enviei ao Conselho do Futuro do Mundo (nome um pouco pretensioso de uma organização de que participo sediada na Europa) , para que o tema seja considerado na sua Assembleia Geral a se realizar no fim de junho de 2013. E duas propostas que a acompanham. Para termos mais algumas coisas com que sonhar.

Carta enviada ao Conselho do Futuro do Mundo (WFC) em 12 de junho de 2013

Caros amigos e amigas,

Eu estava muito interessado na agenda proposta para nossa Assembleia de 2013, bem como na discussão preliminar sobre Visão e Ética. Eu teria também muito prazer em reencontrar meus colegas Conselheiros e Conselheiras, assim como o corpo técnico e a Assessoria do WFC. Mas tornou-se impossível para mim viajar agora para Bonn.

Eu gostaria no entanto de lhes apresentar uma reflexão, para ser considerada eventualmente na Assembleia. Ela está relacionada a uma questão com a qual tenho estado muito envolvido ultimamente: a ameaça à Humanidade criada pelas usinas nucleares para produção de eletricidade. Eu já apresentei esta questão na Assembleia de Hamburgo. E a carta ao governo alemão, assinada então por muitos de nós e por detentores do Prêmio Nobel Alternativo, foi muito importante para aumentar as exigências do governo alemão sobre as condições de segurança das usinas nucleares brasileiras, antes de decidir apoiar a construção de uma nova usina. Este apoio não foi dado até agora, e nós continuamos nossa luta aqui no Brasil contra esta construção e pelo desmantelamento  das usinas nucleares existentes. Torna-se cada vez mais claro para nós o enorme risco dessa tecnologia e o absurdo da herança que deixaremos para muitas e muitas gerações futuras, com a contínua produção de resíduos radioativos. Se o Conselho do Futuro do Mundo está voltado para as futuras gerações, não podemos ignorar esses fatos.

Os Conselheiros e Conselheiras sabem muito melhor do que eu que a construção de usinas nucleares tornou-se o caminho mais curto para construir armas nucleares, ou quanto é agressivamente danosa para os seres humanos a difusão de partículas radioativas provocadas por explosões de usinas nucleares. Os acidentes de Chernobyl e Fukushima ainda ameaçam centenas de milhares de pessoas, em extensos territórios. Vocês sabem também mais do que eu que os elementos radioativos produzidos pela tecnologia nuclear continuarão a ameaçar a Humanidade por muito mais tempo do que o da própria história que ela já viveu.

No Brasil todos estes riscos são inaceitáveis, ao sabermos que não é de forma alguma necessário usar esta fonte específica de energia para as nossas necessidades de desenvolvimento. Mas estaremos obrigados a aceitá-los no resto do mundo? Parece que se pode dizer não. Claramente os países do “Primeiro mundo” estão pouco a pouco decidindo fechar suas usinas nucleares e começando a usar mais intensamente fontes de energia renováveis menos arriscadas.

Mas é vergonhoso ver como a indústria nuclear desses países, antecipando prováveis dificuldades de expansão – e lucro – está empurrando os governos do “Terceiro mundo” a comprarem seus produtos condenados.

Seria muito difícil mudar as decisões políticas de alguns governos já envolvidos na utilização da tecnologia de usinas nucleares como estratégia para dispor de bombas atômicas para defesa, dissuasão ou agressão. Mas muitos outros estão entrando na corrida nuclear empurrados pela indústria nuclear, que obviamente usa também a corrupção para atingir seus objetivos. Se quisermos realmente proteger as gerações futuras, temos que chamar a atenção desses governos sobre as iniciativas dos comerciantes da Morte.

Concluindo, proponho que o Conselho do Futuro do Mundo denuncie firmemente essas práticas comerciais anti-humanas e alerte solenemente sobre elas os governos dos países emergentes e em desenvolvimento, antes que seja tarde demais.

Espero que esta proposta mereça sua atenção. Obrigado, Chico Whitaker

São Paulo, Brasil, 12 de junho de 2013

Proposta de mensagem à ONU sobre um Tratado de Não Proliferação de Usinas Nucleares

Considerando que o controle da tecnologia utilizada em usinas nucleares para produção de eletricidade é o caminho mais curto para controlar a tecnologia necessária para construir armas nucleares;

Considerando que é impossível eliminar o risco de acidentes graves nessas usinas, com o sofrimento que provocam em seres humanos por muitos anos e muitas gerações;

Considerando a enorme quantidade de recursos necessários para descontaminar os territórios atingidos pela disseminação de partículas radioativas com as explosões em tais acidentes;

Considerando a enorme quantidade de recursos que é necessária para manter à distância de seres humanos, do presente e de muitas gerações futuras, os elementos radioativos produzidos por usinas nucleares, e nem assim se fica completamente certo da sua segurança;

Considerando a importante quantidade de recursos necessários para desmontar as centrais nucleares quando esgotam seu prazo de funcionamento;

Considerando que os avanços da tecnologia já tornaram possível o uso de fontes alternativas de energia para produzir eletricidade sem necessidade das usinas nucleares, arriscadas e antieconômicas;

O Conselho do Futuro do Mundo solicita à ONU que inicie discussões para a construção de um Tratado Internacional contra a proliferação de Usinas Nucleares no mundo.

Proposta de mensagem aos governos

A mensagem à ONU poderia ser complementada com outra dirigida aos governos de todos os países,

– pedindo-lhes que interrompam toda e qualquer negociação comercial para construir usinas nucleares em seus países e proíbam as empresas de seus países a exportar a tecnologia e os equipamentos correspondentes para outros países (pelas mesmas razões indicadas na mensagem para a ONU);

– e convidando-os a juntar-se a eventuais discussões das Nações Unidas sobre um Tratado Internacional contra a Proliferação de Usinas Nucleares no mundo.

CW 13062013

((in english)

To the World Future Council Councillors,

Dear friends,

I was very interested in participating of the discussions of our 2013 Assembly agenda, as well as of the previous meeting on Vision and Ethics. I would be also very pleased to meet again my fellow councillors and the WFC advisors and staff. But at the moment it’s impossible for me to come to Bonn.

Nevertheless, I would like to present you a reflexion, to be eventually considered in the Assembly. It is related to a question with which I have been very involved lately: the threat to the Humanity created by nuclear plants for electricity production. I already brought up this question to the Hamburg Assembly; the letter to German Government signed then by many of us with  Right Livelihood Award Laureates was very important to increase German Government demands about security conditions of Brazilian nuclear plants, before deciding to support the construction of a new one. This support was not given until now, and we continue our struggle in my country against this construction and for the destruction of the old nuclear plants. It becomes more and more clear for us the tremendous risk of this technology and the absurdity of the heritage we will leave for many and many future generations, through the continuous production of radioactive waste. If the World Future Council is turned to the future generations, we cannot ignore these facts.

Other Councillors know much better than me how the building of nuclear plants became the shortest way to build nuclear weapons, or how aggressively damageable for human beings is the spreading of radioactive particles provoked by nuclear plants explosions. Chernobyl and Fukushima accidents are still threatening hundreds of thousands people, in large territories. You know more than me that the radioactive elements produced by nuclear technology will continue to menace humanity for a longer time than its own history.

In Brazil all this risks are inacceptable when we know that it is absolutely unnecessary to use this particular energy source to answer to our development needs. But are we obliged to do it in the rest of the world? It seems that we could also say no. Clearly the “First World” countries are slowly deciding to close their nuclear plants, and beginning to use more intensively renewable and less risky energy sources.

But it is shameful to see how their nuclear industry, anticipating probable difficulties of expansion – and profit – is pushing “Third World” governments to buy their condemned products.

It would be very difficult to change political decisions of some governments already engaged in using nuclear plants technology as a strategy to have nuclear weapons with defence, deterrence or aggressive objectives. But many others are entering the nuclear course pushed by the nuclear industry, which obviously uses also corruption to attain its purposes. If we really want to protect future generations, we have to warn these governments about such Death dealers’s initiatives.

Concluding, I propose that the World Future Council denounces firmly these antihuman commercial practices, and alerts solemnly to it the Emerging and the Developing Countries Governments, before it is too late.

I hope this proposal deserves your attention. Thank you, Chico Whitaker

São Paulo, Brazil, the 12th June 2013

Proposal of message to the UN

Considering that the control of the technology used in nuclear plants for electricity production is the shortest way to control the technology necessary to build nuclear weapons;

Considering that it is impossible to eliminate the risk of severe accidents in these nuclear plants, and the sufferings they bring to human beings for many years and generations;

Considering the enormous amount of resources that is necessary to decontaminate the territories attained by the spreading of radioactive particles with the explosions in such accidents;

Considering the enormous amount of resources that is necessary to maintain at distance from human beings of present and many future generations the atomic radioactive waste produced by nuclear plants, without being completely sure of their safety;

Considering the important amount of resources that is necessary to dismantle nuclear plants no more useful;

Considering that the technology advancements made possible already the using of alternative sources of energy to produce electricity, without the necessity of the risky and anti-economical nuclear plants;

The World Future Council asks the United Nations to launch the discussions to build an International Treaty against the proliferation of nuclear plants all over the world.

Proposal of message to governments                

This message could be completed with another one to the governments of all countries, asking them to interrupt any commercial negotiation to build nuclear plants in their countries, and to forbid the enterprises of their countries to export the correspondent equipments and technology to other countries (for the same reasons indicated in the message to the UN);

and inviting them to join the eventual United Nations discussions on an International Treaty against the proliferation of nuclear plants in the world.

CW, 130613

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