Archive for outubro, 2018

26/10/2018

No quase ultimo dia – Chico Whitaker

 

Amigas e amigos

Depois do discurso de Bolsonaro ouvido na Avenida Paulista domingo ultimo me preocupei muito com o que pode acontecer se ele for eleito, e resolvi voltar a falar, e insistir junto a quem pode estar pensando votar nulo e branco por diferentes razões (das quais talvez a maior seja “PT, não!”). Um voto nulo ou branco e mesmo uma ausência justificada ajudará Bolsonaro. Como já disse um amigo, é “meio voto” para ele. Todos podemos atuar contra maus governos e contra a corrupção. Com Bolsonaro eleito, não. É a ditadura. No domingo ele disse: quem não estiver de acordo comigo ou sai do país ou vai ser preso (e com isso pode ser torturado e morto – para ele a tortura é necessária para ter informações e “bandido bom é bandido morto”).

Como sou pela solidariedade e pela Paz, divulguei ontem um longo texto sobre isso tudo (www.senospermitemsonhar.wordpress.com/2018/10/24/carta-as-minhas-amigas-e-meus-amigos), respondendo (como disse, do alto dos meus 86 anos), a um texto que recebi. Retomo aqui algumas frases:

read more »

Anúncios
24/10/2018

Carta às minhas amigas e meus amigos – a real decisão do 2º turno – Chico Whitaker

Tenho enviado, a vocês e a outros conhecidos, textos sobre a escolha nas eleições do próximo dia 28. Como nem todos me respondem, achei que já tinham decidido votar em Haddad. Mas continuei a enviar meus textos: poderiam ser uteis para convencer mais amigos.

Fui surpreendido no entanto por uma resposta, em que me foi enviado um texto de alguém que explicava porque votava em Bolsonaro. Fiquei impressionado com os argumentos, calmos e refletidos, de quem o havia escrito, para afastar o PT definitivamente do poder no Brasil. Era convincente porque baseado na experiência pessoal de insegurança vivida por essa pessoa e seus familiares. Mas dizia que essa insegurança, um fato real, era culpa do PT.

O raciocínio é obviamente forçado porque de fato destina-se a aumentar o antipetismo, uma das bases da campanha do Bolsonaro. Mas é também ilógico, porque o candidato que diminuiria a insegurança é aquele que quer liberar totalmente o acesso a armas, com o que passaríamos de fato a ter medo de andar na rua. Até batida de carro poderá ser resolvida no tiro. O que ocorre nos Estados Unidos? Sem controle da venda de armas, comunidades inteiras são frequentemente vitimadas por desequilibrados.

Pensei em escrever uma carta pessoal a esse amigo, que prezo muito, discutindo essas questões.

read more »

19/10/2018

“Pelo amor de Deus!” – um recado de Chico Whitaker

Assisti ontem à noite o longo programa da Globo News comentando a pesquisa eleitoral do Data Folha divulgada também ontem. Não tive paciência para assisti-lo até o fim, mas o que vi já me deixou estarrecido e preocupado. Não pelos resultados da pesquisa, dando ampla vantagem a Bolsonaro, porque imaginava que hoje mesmo outras pesquisas relativizariam esses resultados – como realmente já aconteceu, com a pesquisa da Vox Populi. O que me deixou estarrecido e preocupado foram as calmas e posadas interpretações dadas pelos jornalistas presentes – o famoso “time” da Globo News – após as explicações técnicas do responsável pela pesquisa.

Era como se, ao lado da sala em que estavam, o fogo estivesse crepitando e eles nem o ouvissem nem vissem a fumaça escapando pela porta. Davam de barato que a eleição estava resolvida, certamente imaginando que poderiam dessa forma desanimar milhões de ouvintes que ainda não aceitaram Bolsonaro, levando-os a jogar a toalha e desistir de “virar o jogo” nesta última semana. Não diziam nem uma palavra – num belo exemplo de mau jornalismo – sobre a descoberta da milionária caixa 2 de Bolsonaro para disparar milhões de mensagens visando continuar a espalhar mentiras para induzir a parcela da população, que caiu na armadilha do antipetismo, a votar no capitão reformado.

read more »

15/10/2018

Lógica de guerra e logica de Paz – Um alerta necessário – Chico Whitaker

Toda pessoa tem o direito de mudar. E deve mudar, se sua experiência de vida, sua reflexão e sua consciência a convencerem dessa necessidade.

Começada a discussão, por toda a sociedade, para a escolha, em 2º. turno, do Presidente do Brasil, Bolsonaro, um dos candidatos, reivindica esse direito. Ele não enfrenta diretamente o outro candidato nos debates que os eleitores têm o direito de assistir, apoiado em convenientes prescrições médicas (conseguirá mantê-las até o 28 de outubro?). Enquanto isso, dá entrevistas sozinho, ao mesmo tempo em que sua máquina de produção de informações falsas nas redes sociais intensifica sua ação, manipulando os sentimentos de um grande número de pessoas desinformadas e reforçando seus erros de avaliação

No espaço que lhe é oferecido nessas entrevistas, ele diz que o que disse e fez ao longo de 20 anos como politico é coisa do passado. Que na verdade ele não é por ditaduras, nem por armas, nem contra mulheres ou gays. Que vai ter como ministros somente pessoas competentes nos seus respectivos ramos, assim como não vai fechar o Congresso. E que não apoia eleitores seus que se envolvam em atos de violência. Etc. etc.

É possível que muitos desses eleitores estejam acreditando no que ele fala. E que já estejam decididos a votar nele também no 2º. turno, e até vejam sua escolha reforçada com a ativação da estratégia de uso das redes sociais que ele adotou.

É provável, por outro lado, que todos que já se associaram ao apelo do ELE NÃO vejam sua escolha também mais reforçada por essa mudança de Bolsonaro, e até estejam se organizando para que mais gente tome consciência do que ELE significa.

A questão é saber se os que não estão aguerridos nem de um lado nem de outro da disputa podem ainda perceber que, acima de uma alternância democrática saudável, estamos todos correndo o enorme risco de um aventureiro sem escrúpulos como Bolsonaro, com a lógica destrutiva que tem entranhada em sua mente e em seu coração, assumir a Presidência do Brasil.

É dramático, mais do que triste, ver em nosso país um candidato a Presidente nos aterrorizar apontando armas, por enquanto imaginárias, para os que dele discordam – num gesto que diz ser necessário e que portanto, no fundo, está “prometendo” concretizar. Podemos estar às vésperas da implantação de um autoritarismo feroz que será talvez mais difícil e doloroso superar do que a ditadura militar imposta em 1964 – Bolsonaro já não disse que os militares que assumiram o poder em 64 não fuzilaram todos que deveriam ter fuzilado?

Pior ainda: pelo exemplo que dá em suas atitudes e pelas suas palavras, é extremamente preocupante a possibilidade de, na prática, ele liberar, logo depois de eventualmente eleito e antes de sua posse, instintos e rancores recalcados de pessoas que decidirão fazer justiça – e aplicar castigos – com as próprias mãos, desatando a violência, que aliás já está começando a grassar, entre nós.

read more »