No quase ultimo dia – Chico Whitaker

 

Amigas e amigos

Depois do discurso de Bolsonaro ouvido na Avenida Paulista domingo ultimo me preocupei muito com o que pode acontecer se ele for eleito, e resolvi voltar a falar, e insistir junto a quem pode estar pensando votar nulo e branco por diferentes razões (das quais talvez a maior seja “PT, não!”). Um voto nulo ou branco e mesmo uma ausência justificada ajudará Bolsonaro. Como já disse um amigo, é “meio voto” para ele. Todos podemos atuar contra maus governos e contra a corrupção. Com Bolsonaro eleito, não. É a ditadura. No domingo ele disse: quem não estiver de acordo comigo ou sai do país ou vai ser preso (e com isso pode ser torturado e morto – para ele a tortura é necessária para ter informações e “bandido bom é bandido morto”).

Como sou pela solidariedade e pela Paz, divulguei ontem um longo texto sobre isso tudo (www.senospermitemsonhar.wordpress.com/2018/10/24/carta-as-minhas-amigas-e-meus-amigos), respondendo (como disse, do alto dos meus 86 anos), a um texto que recebi. Retomo aqui algumas frases:

O raciocínio (do texto) é forçado e ilógico, porque o candidato que diz que quer diminuir a insegurança é aquele que quer liberar totalmente o acesso a armas, com o que passaríamos de fato a ter medo de andar na rua. Até batida de carro poderá ser resolvida no tiro. O que ocorre nos Estados Unidos? Sem controle da venda de armas, comunidades inteiras são frequentemente vitimadas por desequilibrados.

Não estamos diante de uma alternativa normal entre dois candidatos. Estamos diante da escolha de continuarmos ou não vivendo numa democracia.

Bolsonaro é um militar. A formação militar baseia-se numa lógica que chamo de lógica da guerra. O objetivo é matar, destruir o inimigo. Ganha quem matou mais gente e destruiu mais. É uma lógica de violência.

Segundo o jornal argentino Página 12, Bolsonaro se assemelha mais ao Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte – um tirano também eleito – do que a Trump. Todos conhecemos Trump. Poucos conhecem Duterte. Eis o que o jornalista Marcos Rolim escreveu, no texto “Pobres Filipinas!”:

(Dutarte) fez sua campanha (…) prometendo combater a corrupção e sustentando que “bandido bom é bandido morto”. “Melhor que escapem os que estão ligados ao tráfico de drogas, porque vou matá-los. Com seus corpos, alimentarei os peixes em Manila”. (…) “Esqueçam as leis de direitos humanos, mataria meus próprios filhos se fossem viciados em drogas” (…). “Seguindo minhas indicações, vocês não têm que se preocupar com as consequências penais (…) Irei à prisão buscar vocês”. (…) Desde que assumiu a presidência em 30 de junho de 2016, mais de 13 mil pessoas (…) já foram executadas nas ruas (…).(suspeitos, usuários de drogas, moradores de rua, bêbados e doentes mentais). Duterte é um psicopata homofóbico e misógino que diz barbaridades que parecem expressão de “sinceridade” e “coragem”. Seus adversários (…) disseram que ele era um maníaco e que jamais poderia chegar à presidência. Ele respondeu que falou “do jeito que os homens falam”. Recentemente (…) afirmou que o Exército tem uma nova ordem no combate à guerrilha do Novo Exército do Povo (NEP)(…): “atirem na vagina das guerrilheiras, sem as vaginas, elas são inúteis”.

Amigas e amigos, por favor “afastem do Brasil este cálice”.

Se Bolsonaro por desgraça for eleito – acredito que não acontecerá – muitos se arrependerão de ter votado nele ou em branco ou nulo. Sejamos capazes de ajuda-los, dentro do túnel escuro em que estaremos todos. Chico Whitaker, 25/10/2018

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