Archive for março, 2019

29/03/2019

Mais transparência (e mais cultura de segurança) na questão nuclear – Chico Whitaker, Heitor Scalambrini Costa, Renato Cunha e Zoraide Vilasboas

A usina nuclear Angra 3 foi licenciada em 2010 sem prever acidentes “severos” e desconsiderando pareceres de engenheiros da CNEN e exigências do MPF. Publiquei dia 5 na Folha um artigo sobre os riscos assim criados. Uma réplica do Presidente da Eletronuclear no dia 17 diz que o projeto foi atualizado mas não apresenta provas. A questão é muito grave mas a Folha não publica tréplicas. A quem quiser se informar melhor só resta ler um texto explicativo em www.brasilcontrausinanuclear.com.br (nota de Chico Whitaker publicada em 28 de Março de 2019 ao Painel do Leitor da Folha de São Paulo ).  

 

Mais transparência (e mais cultura de segurança) na questão nuclear.

Chico Whitaker, Heitor Scalambrini Costa, Renato Cunha e Zoraide Vilasboas[1]

Artigo publicado nesta Folha no dia 5 de março (Chico Whitaker: “Brumadinho, Flamengo, Angra: e o bom senso?”), pondo em dúvida a atualização do projeto obsoleto da usina nuclear Angra 3, mereceu uma resposta de Leonam Guimarães, Presidente da Eletronuclear. Isto é significativo,

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27/03/2019

Por um levante ético: a hora e a vez da objeção de consciência – Chico Whitaker

O sinal foi dado. Em Washington, o Presidente Bolsonaro disse com todas as letras: temos primeiro que destruir muito, para depois construir.

A destruição já está em pleno curso – por trás das trapalhadas – atingindo direitos, normas e politicas que construímos arduamente, como sociedade, ao longo de muitos anos.  Ataca-se a soberania nacional, os recursos naturais e os equipamentos coletivos (venham para o Brasil, estamos vendendo tudo, disse o Ministro da Economia). A intolerância, o ódio e a violência agridem a solidariedade humana e a cultura de paz e de diálogo. A mentira usada na campanha eleitoral procura agora desarticular estruturas e processos educativos construídos para favorecer o crescimento da consciência cidadã e garantir formação para todos. O governo anuncia leis e projetos que agravam o sofrimento dos mais pobres. Há quem já identifique, nas falas do Presidente e seu entorno, desvios militarizantes que poderão levar a enfrentamentos de civis armados.

Mas essa destruição, para completar-se,

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21/03/2019

Lições de Fukushima – Chico Whitaker

(Publicado na edição on line da Carta Capital em 11 de março de 2019)

Há exatos oito anos, em 11 de março de 2011, no Japão, um forte terremoto estremeceu as estruturas da usina nuclear de Fukushima, seguido de um enorme tsunami que afogou suas máquinas. Pouco depois três dos seus reatores explodiram. Do desastre natural passou-se à catástrofe social e ambiental provocada por acidentes nucleares em que os reatores derretem. Era o terceiro desse tipo que ocorria no mundo, considerado impossível até o primeiro em 1979 nos Estados Unidos e o segundo na então União Soviética em 1986, em Chernobyl.

A radioatividade disseminada pela explosão levou à evacuação de 160.000 sobreviventes do terremoto e do tsunami e os milhões de habitantes de Tóquio quase tiveram a mesma sorte. Foram para alojamentos provisórios, onde estão até hoje, recebendo ajudas do governo. Entre os deslocados mais velhos, há várias vezes mais suicidas do que vitimas do tsunami. O governo ameaça abandoná-los para pressioná-los por sua volta a áreas ainda radioativas.

Onde ficam as vidas humanas, na lógica do mundo econômico e político? Conluios

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07/03/2019

Brumadinho, Flamengo, Angra: e o bom senso? Chico Whitaker

Folha de São Paulo de 5 de 3 de 2019

Inexiste a cultura de segurança em equipamentos

Tragédia em Brumadinho, três anos após Mariana. Desta vez foi mais duro: mais de 300 vidas perdidas. Causa, a mesma: descaso com a segurança em benefício do lucro. Onde ficam as vidas humanas na lógica do mundo econômico e político?

Nem bem identificados os responsáveis, a morte absurda de dez meninos em um centro de treinamento de futebol. E os 242 jovens da boate Kiss? E o incêndio do Museu Nacional, carbonizando a memória do país? Como sempre: falta de fiscalização, laudos ignorados.

Não temos no Brasil uma cultura de segurança em equipamentos coletivos. Com isso, é assustador o que pode acontecer com uma das invenções mais perigosas da humanidade, que importamos: as “chaleiras” para produzir eletricidade com energia nuclear, chamadas usinas nucleares. Temos duas, em Angra dos Reis. E estão programadas Angra 3 e algumas mais em outras regiões. Mas o projeto de Angra 3 é de 1977. Elaborado, portanto, antes de três acidentes com derretimento do reator, até então tidos como impossíveis —nos EUA (Three Mile Island), na então União Soviética (Chernobyl) e no Japão (Fukushima).

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