Archive for ‘Uncategorized’

13/09/2019

URGE AGIR – Chico Whitaker

Impressiona a rapidez com que age, em seu proposito destruidor, o exercito de malfeitores, psicopatas e oportunistas que invadiu nosso país.

O tempo nos pressiona. Estamos rapidamente passando no Brasil a um estagio de luta politica em que alternâncias pacíficas no poder politico não podem ser pacientemente construídas, nem há muito tempo para tentar entender o que aconteceu e propor saídas racionalmente estruturadas como opção contra a destruição. Vidas não podem ser recuperadas e recursos nacionais serão perdidos para sempre quando o direito mais sagrado é o da propriedade

Não podemos deixar para constatar “depois” que nossos indígenas foram todos dizimados, completando o que se começou a fazer nos tempos do “descobrimento”;

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08/09/2019

7 de setembro de 2019, dia da Independência nacional – Chico Whitaker

7 de setembro de 2019, dia da Independência nacional
Já não estamos tão paralisados. Manifestações e protestos começam a se multiplicar, nas mais diversas áreas sob o ataque da barbárie. Até o Congresso segura algumas insanidades, embora deixe passar outras. O próprio STF se prepara, no seu ritmo, para recuperar a primazia da Constituição e estancar as práticas inadmissíveis que permitiram a um alucinado se tornar Presidente. O numero de arrependidos aumenta, inclusive entre os que esperavam ganhar mais dinheiro com o novo governo. E se eleva o nível de consciência do desastre na própria base da sociedade, que vive mais concretamente as consequências negativas do debacle econômico, como o desemprego. Denuncia-se cada vez mais direta e claramente o sofrimento causado pelo estímulo da violência e da intolerância. Multiplicam-se ao infinito as analises que identificam causas, cumplicidades e resultados da aventura em que 57 milhões de eleitores empurraram o país, ainda que outros 89 milhões não estivessem de acordo. Jornais e revistas mudam de lado. Até o mundo lá fora é alcançado pelos estilhaços da insensatez, se escandaliza e começa a defender Bens Comuns da Humanidade que a historia colocou sob nossa responsabilidade. Homens e mulheres, jovens e adultos cobertos com o preto do luto começaram hoje a invadir nossas calçadas. Está na hora de encontrar o modo de dar o empurrão final para nossa libertação.
Em muitos países do mundo que sofreram as consequências dos desatinos que levam às carnificinas das guerras, cidadãs e cidadãos descobriram, há mais de cem anos, uma forma de resistir: a desobediência civil. Usando de seu direito humano de não fazer o que atentasse contra seus princípios de consciência, começaram se opondo a impostos que financiassem a violência e em seguida se recusaram a integrar exércitos, e com isso enfraqueceram ímpetos destruidores. Em nosso país o direito à objeção de consciência e a forma de exercê-lo é pouco conhecido. Mas talvez tenha chegado a oportunidade de descobrir quão poderosa é essa forma de ação politica pacifica. Em ações decididas coletivamente e sustentadas por redes de apoio.

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28/08/2019

Conto fantástico II – Chico Whitaker

Ao voltar de uma viagem imaginária a um país invadido por um exercito de doentes mentais, criminosos e oportunistas – relatada em outro Conto Fantástico – encontrei meu próprio país submergindo numa quase agonia. Vitimado por uma insanidade crescente, seu Presidente, em sua incrível ignorância e desfaçatez, se isolava cada vez mais, atacando inimigos e amigos, destruindo tudo que podia – como prometera a quem o quisesse ouvir na sua primeira viagem ao exterior depois de eleito. Meus compatriotas, paralisados com o absurdo de cada dia, estavam sem saber como escapar do desastre que parecia se aproximar.
Quando cheguei ele estava querendo presentear um filho – como em reinos atrasados – com a embaixada no país mais poderoso do mundo. E como se quisesse desprepará-lo para suas funções, dava seguidos exemplos da mais absoluta contradição com a prática diplomática, referindo-se de forma desrespeitosa a outros governantes e mesmo a seus familiares. E já carregava a culpa – que poderia leva-lo a um impeachment e até a uma acusação num Tribunal internacional – de não ter evitado um desastre ambiental anunciado três dias antes por quem o provocaria. E que teria consequências planetárias, num mundo cada vez mais angustiado com a perspectiva de extinção da espécie humana por falta de condições de sobrevivência física. O que o levara a falar à Nação, em cadeia nacional de TV, lendo, como um boneco rígido, uma pequena cola que puseram à sua frente.

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20/08/2019

Sobre o texto “Precisamos falar sobre o nuclear” – Chico Whitaker

O autor do texto Precisamos falar sobre o nuclear” (Michael Liebreich), faz parte de um enorme batalhão de técnicos que a indústria nuclear mobiliza para evitar o seu declínio.

Ele apresenta o novo argumento que a indústria nuclear está agora usando para salvá-la desse declínio:  o de que as usinas nucleares são “a solução” para se enfrentar o problema das mudanças climáticas e do aquecimento global – sobre o qual a humanidade parece estar finalmente acordando.

Usa para isso uma linguagem que pretende ser objetiva, com um convite para que a questão seja debatida pelo “ativista antinuclear vitalício” e pelo “fã mais ardente” dessa tecnologia, “seguindo em frente em um caminho baseado na verdade e na reconciliação, não em um slogan do tipo ‘vamos todos gritar um para o outro, minha tribo versus sua tribo’ ”.

Mas não podemos nos deixar enganar pelos dados e números que apresenta – que nem merecem o

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08/08/2019

O dia em que o Japão quase desapareceu – Naoto Kan [1]

Texto de Naoto Kan, Primeiro Ministro do Japão quando do acidente de Fukushima. Publicado em Agosto de 2019 pelo Le Monde diplomatique, da França, tradução de Stella Whitaker

Com um ano de antecedência em relação aos Jogos Olímpicos de Tóquio,  o Japão quer mostrar ao mundo que a região de Fukushima, devastada pelo tsunami e pela catástrofe atômica de 11 de março de 2011, já voltou a uma vida normal. Mas isto está longe da realidade. O primeiro ministro daquele momento, Naoto Kan, dá, a seguir, um testemunho das dificuldades que tiveram para enfrentar o desastre. Desde então ele milita pela suspensão do uso civil da energia nuclear.

 

Já passados oito anos do grande terremoto no leste do Japão, o tsunami e o acidente nuclear de Fukushima, em março de 2011, continuam gravados no meu espirito. Eu estava dormindo em Kantei (residência do primeiro ministro). Nos momentos em que ficava sozinho, sempre vestido com o uniforme de bombeiro, como se é obrigado em situações extremas como aquela, eu dormitava no sofá do salão. Na realidade eu me estendia no sofá para repousar o corpo enquanto refletia sem parar nas medidas a serem tomadas.

Como eu nunca tinha tido atividade profissional ligada ao nuclear, meu conhecimento do assunto se limitava às noções de base adquiridas durante meus estudos universitários de física aplicada. Eu tinha lido relatóriossobre o desastre de Chernobyl e sobre os danos que podem ser provocados por um acidente nuclear, mas jamais tinha  imaginado que um desastre de uma dimensão ainda maior pudesse ocorrer no Japão.

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31/07/2019

Conto fantástico com final feliz – Chico Whitaker

I – A invasão

Um estranho Exército de doentes mentais, criminosos e oportunistas de repente invadiu aquele pais de clima ameno, convívio fácil entre seus habitantes e cheio de promessas. A força invasora surgiu de dentro do próprio país e se apropriou de todos os espaços do poder político logo que se divulgaram os resultados eleitorais,  sem perder tempo. Seu chefe era um malfeitor ignorante e violento, que conseguiu ser eleito Presidente da República graças a um atentado forjado, que levou as pessoas desavisadas a se condoerem dele e permitiu que não sofresse desgaste em debates entre candidatos. Pouco depois de empossado, viajou ao país que mais admirava e a cuja bandeira batia continência e declarou, ao primeiro grupo de políticos e empresários que encontrou, que sua primeira missão era a de destruir seu próprio país. E seu Ministro da Economia, recrutado entre economistas enriquecidos com especulações nas Bolsas, completou: “venham logo, estamos vendendo tudo”.

O Presidente tinha sido expulso da corporação militar quando oficial de baixa patente, mas continuou fiel ao anti-comunismo primário que na Guerra Fria movia essa corporação. E, como toda personalidade psicopática,

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06/07/2019

Chernobyl e Angra dos Reis – Chico Whitaker

A minissérie Chernobyl, na HB0, impactou. Obrigando o Presidente da Eletronuclear a dizer, na Folha de São Paulo de 23/06, que os reatores brasileiros são menos perigosos, que há acidentes como esse “a cada milhão de anos”, que o medo “amplifica a percepção dos reais riscos”. Mas a culpa é do reator? E quantos anos separam os acidentes de Three Mile Island, Chernobyl e Fukushima (1979, 1986 e 2011)?

Para ele o medo do nuclear se deve ao “pior marketing da historia”, feito pela bomba de Hiroshima. Mas o que há de fato é outro tipo de medo: o do negócio nuclear ser bloqueado pela desaprovação social. O programa Átomos para a Paz de Eisenhower foi pensado por marqueteiros? Porque se se passou a falar de energia nuclear em vez de energia atômica?

Somos muito mal-informados sobre a tecnologia nuclear. E o Presidente da Eletronuclear a simplificou

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09/04/2019

Nuclear: esclarecimentos necessários – Chico Whitaker

Dia 19 de março o Presidente da Eletronuclear, sr. Leonam dos Santos Guimarães, contestou um artigo meu publicado na Folha de São Paulo em 5 de março. No dia 21 o Presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear – ABEN, sr. Claudio Almeida, respondeu a outro artigo meu publicado na Carta Capital em 11 de março.

As dúvidas que levantei seguramente incomodaram. E de fato são muito preocupantes: retomar a construção da usina nuclear de Angra 3 com o mesmo projeto de Angra 2 é um crime anunciado. Ele é da década de 70 e não leva em conta as recomendações de segurança da Agência Internacional de Energia Atômica – AIEA. Para que a Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN licenciasse Angra 3 com esse projeto, precisou engavetar pareceres contrários de seus próprios engenheiros e desrespeitar as determinações do MPF quando investigou a razão das divergências. Os Tribunais do Japão vem condenando os responsáveis pelo acidente de Fukushima por desconsiderarem alertas técnicos, chamando isso de negligência, enquanto a CPÌ do Parlamento japonês após o desastre disse que houve o que chamou de “conluio” entre empresas e governo.

Como muita coisa no Brasil também tem cheiro de corrupção, em Angra 3 isto ficou demonstrado com a condenação do então Presidente da Eletronuclear e mais recentemente com a prisão do ex-presidente Temer. E matéria recente do “Fantástico” da TV Globo apresentou essa usina como um espaço destinado mais do que tudo a essas práticas: https://globoplay.globo.com/v/7482395/?fbclid=IwAR0MiJhzkdwau1qA7CzhSEYHHwkecr1pytYXZ9_OmQRiQjULI8AhLLT0jdI.

Como a Folha de São Paulo só pôde abrir 500 caracteres no Painel do Leitor para a resposta ao Presidente da Eletronuclear, os interessados poderão lê-la em http://www.brasilcontrausinanuclear.com.br/2019/03/27/mais-transparencia-e-mais-cultura-de-seguranca-na-questao-nuclear. Mas a Carta Capital nos fez a gentileza de oferecer espaço para uma tréplica ao artigo do Presidente da ABEN. É o que se segue.

Na verdade os Presidentes da Eletronuclear e da ABEN se ativeram em seus artigos à defesa da opção nuclear e de Angra 3, sem trazer provas concretas sobre uma eventual atualização do seu projeto. Enquanto um documento oficial da Eletrobrás-Eletronuclear sobre os critérios de segurança para Angra 1, 2 e 3, publicado em 10 de maio de 2011 (após portanto o licenciamento de Angra 3), dá em detalhe as dimensões e características dos Prédios de Contenção de Angra 2 e diz simplesmente, sobre Angra 3, que tem “estruturas semelhantes às de Angra 2”.

Mas o segundo desses artigos surpreende de forma especial pelo nível de desinformação que revela.

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07/04/2019

SE EU FOSSE DEPUTADO – Carlos Drummond de Andrade

SE EU FOSSE DEPUTADO

Carlos Drummond de Andrade

Artigo publicado pelo Jornal do Brasil em 21.6.1980, e republicado pela Revista da USP ESTUDOS AVANÇADOS 21 (59), 2007, com uma introdução explicativa de seu Editor

 

O testemunho do poeta-cidadão

Em 1980, já no ocaso da ditadura, a região florestal da Juréia, entre os municípios costeiros de Peruíbe e Iguape, se viu de repente ameaçada de sediar uma usina nuclear por força do acordo Brasil-Alemanha.

A população local reagiu, temendo que um acidente pudesse envenenar o seu hábitat. A lembrança do que ocorrera em Three Mile Island, em 1979, estava ainda viva na consciência ecológica mundial. Organizações ambientalistas e alguns cientistas eminentes uniram-se então e fizeram um apelo ao maior poeta vivo do país, Carlos Drummond de Andrade, para que escrevesse um artigo em apoio à luta comum.

O poeta recebeu dos cientistas as informações básicas sobre os riscos humanos e ambientais que a usina representava e publicou no Jornal do Brasil o texto abaixo transcrito.

A editoria julgou pertinente reproduzi-lo, pois nele reconhece dois méritos inegáveis:

  1. a) Trata-se de uma expressão de cidadania, cuja voz não costuma ser ouvida pela tecnocracia;
  2. b) O seu conteúdo está centrado nos perigos de doenças e mortes que correm as populações atingidas por um eventual acidente.

Releva notar que o poeta não podia imaginar que, seis anos mais tarde (1986),ocorreria o terrível vazamento de Chernobyl, na Ucrânia, cujos efeitos patogênicos ainda se fazem sentir.

A luta contra o Projeto Juréia não se deu em vão. O governo desistiu da ideia. Hoje a Juréia é uma bela reserva florestal.

                                            Editor

 

SE EU FOSSE deputado federal, estaria hoje muito apreensivo. E se fosse deputado federal por São Paulo, minha apreensão atingiria limite angustioso. Isso porque me mandaram um documento terrível, que faz perder o sono e põe a consciência em estado de guerra.

Quem o assina é o Movimento em Defesa da Vida, formado por pessoas de todas as classes, homens e mulheres, sob orientação de geneticistas reputados e físicos nucleares não menos categorizados da USP.

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29/03/2019

Mais transparência (e mais cultura de segurança) na questão nuclear – Chico Whitaker, Heitor Scalambrini Costa, Renato Cunha e Zoraide Vilasboas

A usina nuclear Angra 3 foi licenciada em 2010 sem prever acidentes “severos” e desconsiderando pareceres de engenheiros da CNEN e exigências do MPF. Publiquei dia 5 na Folha um artigo sobre os riscos assim criados. Uma réplica do Presidente da Eletronuclear no dia 17 diz que o projeto foi atualizado mas não apresenta provas. A questão é muito grave mas a Folha não publica tréplicas. A quem quiser se informar melhor só resta ler um texto explicativo em www.brasilcontrausinanuclear.com.br (nota de Chico Whitaker publicada em 28 de Março de 2019 ao Painel do Leitor da Folha de São Paulo ).  

 

Mais transparência (e mais cultura de segurança) na questão nuclear.

Chico Whitaker, Heitor Scalambrini Costa, Renato Cunha e Zoraide Vilasboas[1]

Artigo publicado nesta Folha no dia 5 de março (Chico Whitaker: “Brumadinho, Flamengo, Angra: e o bom senso?”), pondo em dúvida a atualização do projeto obsoleto da usina nuclear Angra 3, mereceu uma resposta de Leonam Guimarães, Presidente da Eletronuclear. Isto é significativo,

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