15/01/2016

Movimento de Apoio à Objeção de Consciência?

O texto “Objeção de consciência – uma maneira (pacífica e humilde) de mudar o mundo”, postado no Facebook no domingo 10 de janeiro de 2016, foi bem acolhido por muita gente e republicado em vários lugares.

O blog senospermitemsonhar.wordpress.com, em que também o apresentei, foi visitado por mais de 300 pessoas, nestes últimos 5 dias.

Será que haveria gente disposta para uma conversa exploratória sobre a proposta de criar um Movimento de Apoio à Objeção de Consciência?

Estarei esperando pelos interessados no dia 18 de janeiro, 2a. feira, às 19 horas, na Ação Educativa, sala 12, rua General Jardim, 660 (Santa Cecilia).

Abraços do Chico Whitaker

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10/01/2016

Objeção de consciência- uma maneira (pacifica e humilde) de mudar o mundo – Chico Whitaker

 “Seja a mudança que você quer para o mundo” – Ghandi

Aprendi muito em minha passagem como vereador pela Câmara Municipal de São Paulo nos anos 90. Da compreensão mais clara da função do Poder Legislativo e das distorções das suas relações com o Executivo à constatação das minhas limitações pessoais para a vida partidária e para a luta por subir na pirâmide do poder político.

Outro aprendizado me foi proporcionado pela experiência de relatar e depois presidir Comissões Parlamentares de Inquérito sobre corrupção dentro da Câmara: funcionários técnicos honestos davam encaminhamento burocrático a processos com irregularidades; bons advogados colocavam seus conhecimentos a serviço da impunidade de criminosos, pelo princípio do direito de todos à defesa. Isto tornava essas pessoas cúmplices eficazes da corrupção e eu não via como evitá-lo.

Esse sentimento de impotência muitas vezes nos imobiliza. Como hoje frente à evolução das coisas no Brasil e no mundo. Mas talvez um modo de agir usado contra a guerra há muito tempo – a objeção de consciência – possa abrir pistas de ação.

No final da primeira Guerra Mundial movimentos pacifistas, de não violência, propunham ações coletivas de desobediência civil[1]. Quem as colocou mais em evidência, já depois da segunda Guerra Mundial, foram os jovens norte-americanos que se recusavam a ir para o Vietnam por “objeção de consciência”. A consciência do que era e significava essa guerra os impedia de participar. Continue lendo

11/03/2015

De como é difícil e angustiante lutar contra usinas nucleares no Brasil – Um pequeno testemunho. Chico Whitaker

De como é difícil e angustiante lutar contra usinas nucleares no Brasil

Um pequeno testemunho

Chico Whitaker

(Este texto está sendo escrito e divulgado num momento de crises políticas, sociais e econômicas que estão criando muitas tensões no Brasil. Pode parecer que passo ao lado delas como se não existissem. O que ocorre, na verdade, é que não podemos parar nossas lutas porque as coisas fervem em outras áreas. Especialmente no caso do nuclear, em que cada dia que passa é crucial, como indico ao tratar de explicar o porquê de minha angustia. Mas aproveito para mandar um recado ao Ministro da Fazenda, no final da nota ix. Se ele o ouvir, será bom para nossa luta mas também para as demais…)

Se alguém do ainda pequeno grupo de brasileiros que lutam contra usinas nucleares no Brasil aborda uma pessoa conhecida ou desconhecida e toca no assunto de sua luta, a primeira reação é de surpresa: nuclear? O que é isso? Se perguntamos se lembram do que aconteceu há quatro anos em Fukushima, surge um pequeno laivo de interesse: Fukushima? Ah sim! O terremoto? O tsunami? Isso mesmo, mas também o acidente nas usinas nucleares… Ah sim, realmente… Mas na memória do nosso interlocutor o lugar, os fatos são tão longínquos, no tempo e no espaço! Nem tentemos lembrar a catástrofe anterior, ocorrida em Chernobyl em 1986, na então União Soviética…

Se insistimos em nossa conversa, dizendo que temos duas usinas nucleares funcionando no Brasil (são duas?) e uma terceira em construção, e que corremos riscos semelhantes, o espanto aumenta. Passam a nos olhar até com uma certa desconfiança… E se forem como eu, um pouco mais idosos, o olhar passa a ser penalizado e de condescendência: coitado do velhinho, a cabeça está começando a girar… Continue lendo

11/03/2015

Esqueceremos Fukushima? Chico Whitaker

Artigo publicado pela Folha de São Paulo em 11 de março de 2015 (http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/03/1601253-opiniao-esqueceremos-fukushima.shtml)

 

Esqueceremos Fukushima?

Chico Whitaker

Em 11 de março rememoramos, no seu quarto aniversário, uma tragédia que comoveu o mundo: o fortíssimo terremoto de Fukushima, no Japão, seguido de um tsunami avassalador com milhares de vítimas. Toda a humanidade admirou a coragem do povo japonês para superar a dor e o luto, ao mesmo tempo que sua capacidade de rapidamente fazer desaparecer até as marcas da destruição.

Algo ainda mais grave, no entanto, aconteceu logo depois: três das quatro usinas nucleares existentes na área explodiram. Apesar da tecnologia e da disciplina japonesas, os seus operadores não conseguiram evitar que as falhas em seu funcionamento provocadas pelo terremoto e pelo tsunami se encadeassem a outras, e fenômenos químicos incontroláveis levaram às explosões. Continue lendo

07/01/2015

Porque opor-se a usinas nucleares? Da inquietação ao pânico. Ou à indignação?

Votos de Ano Novo com um texto sobre o nuclear

Que estranho… Um assunto tão longínquo…Será que o amigo Chico endoidou de vez, com a ideia fixa que se instalou em sua cabeça depois do acidente de Fukushima em 2011? Quantos brasileiros ainda se lembram desse acidente? E o próprio governo japonês não vai reabrir duas usinas? As nossas de Angra não continuam pacificamente fornecendo 2% da energia elétrica oferecida no país?

Em pleno início de um novo mandato presidencial, porque não concentrarmos nossa atenção nos desafios e dúvidas que ele carrega? Ou em todos os demais problemas que temos que enfrentar: reforma política, insegurança, corrupção, droga, desigualdade social, trabalho, moradia, mobilidade urbana, saúde, entre tantos outros… E o aquecimento global, com o possível novo desastre político da conferência sobre o clima em Paris em Dezembro de 2015?

Pode ser. Mas não dá para deixar de lado, para depois, a atenção e a ação no assunto usinas nucleares. É urgente demais. A cada dia que passa temos que nos felicitar por não ter ocorrido um novo acidente grave em qualquer lugar do mundo em que existam essas usinas. E a cada dia que passa mais se acumula “lixo radioativo” delas proveniente: um legado tenebroso que já estamos deixando para nossos filhos, netos, bisnetos e tataranetos, a “esconder” pela eternidade, para que ninguém dele se aproxime e muito menos o toque. Enquanto isso aumenta a pressão comercial para que se construam usinas pelo mundo afora.

De 2011 para cá, fui sendo relembrado de tragédias como Goiânia e Chernobyl. Fui tomando conhecimento de coisas que não sabia, como os riscos que corremos com o simples funcionamento de usinas nucleares, desde o momento em que tiramos o urânio da terra para usá-lo como combustível. Constatei o nível de desinformação em que somos mantidos, e quão imprevisíveis e incontroláveis são as “falhas múltiplas” que podem provocar acidentes mais graves. Uma viagem ao Japão me mostrou que tais acidentes não são somente “acidentes”: são “catástrofes sociais”. Vi de perto o sofrimento das vítimas, assim como a irresponsabilidade dos que ganham dinheiro com o nuclear e dos políticos que lhes dão cobertura.

São coisas que angustiam. Não posso me esquecer de tudo isso ao fazer votos para 2015. Que consigamos, neste Novo Ano, elevar um pouco que seja a consciência dos brasileiros sobre a insanidade do nuclear, e que mais gente passe a participar do trabalho de informação geral sobre o assunto. Com a esperança de que o Papa Francisco, na encíclica que prepara sobre ecologia para este ano, diga uma palavrinha que seja para alertar a Humanidade sobre todos esses crimes anunciados.

Ver abaixo e tambem em:  http://www.chicowhitaker.net/index.php

 

Porque opor-se a usinas nucleares? Da inquietação ao pânico. Ou à indignação?

Chico Whitaker, dezembro de 2014

É perigoso viver no mundo. Não tanto por causa daqueles

 que fazem o mal, mas por causa daqueles que olham e deixam que aconteça.

Albert Einstein[1]

Quando se questiona o uso da energia nuclear, na matriz energética brasileira, o primeiro argumento de quem a defende é de que só ela pode oferecer energia sem interrupção. E que já nisso ela é muito superior à hidráulica, porque a agua que move as turbinas pode faltar. E à solar – que não produz eletricidade à noite – ou à eólica – que deixa de produzi-la quando o vento para. Além disso, por que prescindir da energia nuclear, se a demanda de energia elétrica, num país em desenvolvimento, é crescente, e isto nos obriga a utilizar todas as opções existentes, ainda mais quando as “alternativas” que, embora existam, produzem energia ainda muito cara? Continue lendo

20/12/2014

Relato de viagem a Fukushima

A trágica herança de Fukushima

Relato de viagem

(texto completo, com fotos e anexos, a ser divulgado em publicação impressa)

Chico Whitaker, novembro de 2014

Fiz em Outubro de 2014, em pleno período de campanha eleitoral, uma viagem inesperada de sete dias ao Japão – mais especificamente a Fukushima, onde ocorreu o acidente nuclear de 2011. O programa foi carregado demais para conseguir fazer o que pretendia: mandar aos amigos mais curiosos, ao longo da viagem, pequenos bilhetes com relatos do que via. Mas anotei o que pude e os escrevi depois de voltar. E os divulgo agora, já depois do segundo turno das eleições, esperando que um dia os riscos inerentes ao uso da energia nuclear para produzir eletricidade recebam de nossos governantes a atenção que merecem.[1]

Temos muitos japoneses e filhos de japoneses vivendo no Brasil. No entanto para nós, brasileiros, o Japão é um lugar distante, do outro lado da Terra. Quando criança me diziam que um furo que fizéssemos debaixo de nossos pés, varando todo o planeta, desembocaria por lá. Com os aviões de hoje levamos quase 24 horas para chegar. No voo no hemisfério norte se segue um paralelo próximo ao polo. Indo pelos Estados Unidos chegamos um dia antes; pela Europa, um dia depois… É um pouco mais adiante do “fim do mundo”, como se diz.

Pode-se entender portanto porque o acidente nuclear de Fukushima – assim como o terremoto e o tsunami que o precederam – nos emocionaram quando ocorreram mas foram em seguida praticamente esquecidos. No entanto quando vamos a Fukushima somos surpreendidos pela espécie de “fim do mundo” que está vivendo o povo daquele país, com a mortífera radioatividade espalhada com a explosão de uma de suas 54 usinas nucleares. Assim como nos assustamos quando ficamos sabendo de tudo que nos escondem sobre o acidente nuclear de 1986 em Chernobyl, na antiga União Soviética. Continue lendo

24/05/2014

Mensagem sobre a busca da Paz – Chico Whitaker

Acabo de enviar este pequeno texto aos participantes de um Fórum sobre a Paz que se realizará em Sarajevo, Bósnia, no incio de Junho, no processo do Fórum Social Mundial. Eu tinha sido convidado para a abertura do Fórum, mas como não poderia ir, os organizadores pediram-me que mandasse uma pequena mensagem, que pudesse ser lida no inicio. Está por enquanto em francês mas logo coloco a tradução para o português.

 

Très chers amis et amies réunis autour de la recherche de la Paix, à Sarajevo

Dans l’impossibilité d’être physiquement parmi vous ces mémorables jours, je vous envoie un mot d’Esperance. Ce que nous réunit c’est la constatation de la difficulté de réaliser notre rêve : un monde sans guerres, de paix entre les nations, de même qu’entre les êtres humains à l’intérieur de chaque pays et de chaque groupement humain, et aussi entre nous tous et la nature. De même, nous subissons à chaque jour des menaces de violence, créées par la négation de droits ou la non satisfaction de besoins, ou par la seule soif de pouvoir et de ce qui puisse permettre de l’avoir.

Nous savons tous que, dans un monde dominé par la logique de l’accumulation de l’argent, la Paix ne sera jamais le simple résultat de Traités entre nations ou de Lois qui puissent rendre difficile de ne pas la vouloir. Bien sûr ces instruments peuvent être utiles et même nécessaires. Mais, dans l’aventure humaine, la Paix durable est celle construite à l’intérieur des consciences de chacun et de tous. Au moins en tant que conscience qu’elle est condition pour être heureux, même dans l’adversité.

Je vous souhaite des fructueux échanges ces jours-ci, dans la recherche nécessairement collective de la Paix.

Chico Whitaker, membre de la Commission Brésilienne Justice et Paix et son représentant au Conseil International du Forum Social Mondial.

 

 

24/05/2014

As dificuldades para se chegar ao “outro mundo possivel”. Chico Whitaker

Estou muito atrasado em minha inserções neste blog. A correria como sempre é grande…  Tomo então a liberdade de colocar aqui algo em espanhol… É que talvez não passe de portuñol, o que facilita para quem não entenda muito bem o espanhol.

É uma palestra que fiz no fim de maio num encontro em Barcelona, em torno das novas perspectivas (sonhos) para o futuro que quereríamos para o mundo. Falei sobre as dificuldades para se chegar ao “outro mundo possível”.  Levantei uma serie de problemas que pretenderia tratar novamente, um por um, em pequenos textos para reflexão. Tomara que consiga…

Coloco também em seguida uma curta mensagem que enviei hoje mesmo a um Fórum sobre a Paz, que se realiza em Junho em Sarajevo, na Bósnia. É mais um sonho.

 

El desafío más grande: como construir el otro mundo posible, ahora

Chico Whitaker

Barcelona, abril 2014

 

Me siento de hecho muy pequeño frente a la responsabilidad que me ha sido dada, de hacer una de las ponencias iniciales de nuestros tres días de trabajo, sobre estas cosas todas con las cuales soñamos: la posibilidad de construir un mundo diferente de esto en que vivimos – el “otro mundo posible”, una “biocivilización”, una “civilización de la convivialidad”, el “buen vivir”.

Soy más que todo un simple operador, que busca caminos de realización de perspectivas abiertas por las reflexiones de otros. Así es que he participado del grupo de personas que han inventado el Foro Social Mundial, con su afirmación de que otro mundo es posible. El título de mi ponencia hoy, que habla del desafío que es la construcción de ese “otro mundo”, refleja esta condición de operador.

Cuando he comunicado este título a Sandra, para que preparara el programa, ella propuso que agregara la palabra “ahora”, puesto que, como ella ha dicho, cada vez el tiempo se hace más corto, y, cuando va a empezar la mayoría de la gente? He dado naturalmente mi acuerdo, pero recordando que lo que me preocupaba eran los obstáculos que encontramos para la construcción del otro mundo posible, que veo hoy como especialmente grandes. Pero para esto vale también el “ahora“, una vez que es cierto lo que ella también me ha dicho: todavía hay mucha falta de conciencia. Continue lendo

04/10/2013

Entre a desinformação e a insanidade – Chico Whitaker

Dia 9 de setembro último foi publicado na coluna Tendencias e Debates da Folha de São Paulo um primeiro bloco de um artigo com o titulo acima, que tinha escrito escrevi um mês antes. Coloco aqui, agora, o artigo inteiro. Pretendo desenvolvê-lo ainda mais, a partir do que está ocorrendo atualmente em Fukushima. Agradeço a quem tiver dados e disposição para me ajudar nesse trabalho.

Entre a desinformação e a insanidade

Chico Whitaker, 10 de agosto de 2013

Quando falamos, no Brasil, dos riscos das usinas nucleares, as pessoas nos olham como se fôssemos ETs desgarrados, perguntando-se, quase penalizados, o que nos teria acontecido para abordarmos assunto tão fora de hora e lugar…

E nem foi há tanto tempo que aconteceu o desastre de Fukushima! Mas nosso instinto de auto defesa logo empurra más lembranças para o esquecimento. Assim é que cada vez menos gente se recorda das 19 gramas de césio-137 que em 1985 foram retiradas, num ferro velho de Goiânia, de um aparelho de radioterapia irresponsavelmente abandonado e que mataram, até se descobrir que eram radioativas, dezenas de pessoas, provocando amputações e doenças diversas em centenas de outras.

Mas porque falar de acidentes de tão pouca probabilidade, e tão distantes no tempo e no espaço? Em vez de se deixar impressionar com esses e outros ecoterrorismos, não é mais urgente se preocupar com problemas brasileiros como a desigualdade de renda e social, a violência, a corrupção, as múltiplas insuficiências do transporte coletivo e dos serviços públicos em geral, denunciados nas manifestações de junho último? Ou porque não conversar sobre as coisas bonitas e prazerosas que também acontecem neste nosso clima ameno, ou sobre futebol?

O que acontece é que aqueles que tem a sorte (ou o azar) de serem informados um pouco mais (só um pouco já assusta) sobre o que aconteceu em Chernobyl em 1986 e continua a acontecer em Fukushima desde 2011 não podem dormir tranquilos. Menos ainda quando constatam de um lado a desinformação da grande maioria e de outro a insanidade dos que promovem o uso de reatores nucleares para produzir energia elétrica – esse modo extremamente perigoso de esquentar agua e produzir vapor para girar turbinas. Continue lendo

20/06/2013

O que é a Tarifa Zero – Chico Whitaker

Um dos sonhos da moçada das mobilizações destes ultimos tempos pelo Brasil afora (do MPL – Movimento do Passse Livre) é o da Tarifa Zero nos transportes coletivos.

Pois sonhei com outros sobre essa possibilidade, há mais de vinte anos (1990), quando era vereador e Lider do Governo Luiza Erundina na Câmara Municipal. de São Paulo.

Uma das publicações de meu Gabinete era a serie “Procurando entender”. Publiquei então, nessa serie, um texto (que redigi a muitas mãos) exatamente sobre a Tarifa Zero,.. Relendo-o agora, constato que muita coisa ainda vale, tanto na análise do que é o problema do transporte coletivo como na explicação da proposta.

O MPL já tinha colocado esse texto no site deles (tarifazero.org, na aba O que é a Tarifa Zero). Mas para facitar aos interessados, eu o co coloco tambem neste meu blog.

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